Os especialistas estão dizendo que é a maior divisão denominacional desde a Guerra Civil.
Desde 2019, mais de 7.600 congregações na Igreja Metodista Unida (IMU) receberam aprovação para deixar a denominação. Isso é cerca de um quarto de todas as igrejas metodistas do país. E na África Ocidental, a Conferência da Costa do Marfim, uma das maiores conferências regionais com cerca de 1 milhão de membros, acabou de votar para deixar a IMU.
Muitas congregações que estão saindo se juntaram à Igreja Metodista Global (IMG), um órgão mais conservador lançado em 2022.
Então, por que o cisma? Nas palavras da declaração de saída da Conferência da Costa do Marfim: “A nova Igreja Metodista Unida preferiu sacrificar sua honorabilidade e integridade para honrar a [pauta] LGBT"
UMA HISTÓRIA DIVISIVA
De acordo com um correspondente da PBS NewsHour: “Estamos basicamente vendo a conclusão do que tem sido décadas de debate e discussão na Igreja Metodista Unida sobre sexualidade.”
Em 1972, uma cláusula contra a homossexualidade foi adicionada ao Manual de Disciplina da igreja, que declarava: "A prática da homossexualidade é incompatível com o ensino cristão. Portanto, os homossexuais praticantes declarados não devem ser certificados como candidatos, ordenados como ministros ou nomeados para servir na Igreja Metodista Unida".
No entanto, nas décadas seguintes, muitos líderes da igreja, cedendo ao crescente ativismo liberal, recusaram-se a defender o Livro de Disciplina. Isso levou a uma reunião legislativa especial em 2019 na qual "uma coalizão de conservadores nos EUA e no exterior, especialmente de igrejas africanas em rápido crescimento", "votou para fortalecer as proibições de longa data quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à ordenação LGBTQ". As igrejas americanas que não estavam dispostas a seguir o Manual de Disciplina tiveram cinco anos para sair da IMU em condições razoáveis. No entanto, em uma estranha inversão, foram os conservadores que acabaram saindo por causa da "falha da denominação em disciplinar aqueles que desafiavam a lei da igreja".
Avançando rapidamente para 2 de maio de 2024. Em uma votação de 523 a 161, a Conferência Geral da IMU optou por remover a cláusula contra a homossexualidade de seu Manual de Disciplina. Os delegados também aprovaram a declaração de que "o casamento [é] um pacto sagrado e vitalício que leva duas pessoas de fé (... duas pessoas adultas em idade de consentimento) a uma união entre si e a um relacionamento mais profundo com Deus e a comunidade religiosa" (ênfase acrescentada).
A Igreja Metodista Unida pode agora — oficialmente — realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, ordenar homossexuais não celibatários e financiar grupos em defesa da comunidade LGBTQ+.
A TRADIÇÃO WESLEYANA?
Por volta do ano de 1740, um pregador anglicano chamado John Wesley começou a formar sociedades metodistas — chamadas assim por causa de sua abordagem "metódica" à vida santa. A meta original de Wesley para o metodismo era reformar a Igreja da Inglaterra, mas as diferenças teológicas acabaram levando a uma denominação separada.
Wesley confrontou o antinomianismo de sua época, que ensinava que a morte de Cristo havia abolido não apenas as leis do sacrifício, mas também os Dez Mandamentos, libertando os crentes da escravidão da obediência. Em um sermão sobre Mateus 5:17–20, o pregador explicou que "a lei moral, contida nos Dez Mandamentos e reforçada pelos profetas, Ele não retirou. (...) Cada parte dessa lei deve permanecer em vigor, para toda a humanidade e em todas as épocas".
Apesar do apoio da IMU ao casamento gay, a denominação ainda afirma estar carregando a tocha de Wesley. Eis o que seu Manual de Disciplina diz sobre as leis do Antigo Testamento: "O Antigo Testamento não é contrário ao Novo. ... Embora a lei dada por Deus por meio de Moisés, no que diz respeito a cerimônias e ritos, não esteja mais vigentes para os cristãos, ... nenhum cristão está livre da obediência aos mandamentos chamados morais" (Artigo VI).
Então, a lei que trata das relações homossexuais (Levítico 20:13) não é mais "moral" nem ligada ao sétimo mandamento? Os que estão saindo da IMU discordam dessa nova interpretação — e John Wesley também discordaria!
SAINDO DE BABILÔNIA
O êxodo em massa de uma igreja que tem um “Caucus do Clero Gay” fez com que muitos cristãos pensassem no grito do anjo em Apocalipse 18: "Caiu a grande Babilônia" (v. 2), seguido por outro grito: "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas" (v. 4).
O povo de Deus saiu da Babilônia literal depois que ela foi conquistada por Ciro, o Grande, em 539 a.C. Porém, em Apocalipse, a Babilônia não é literal, mas simboliza um poder religioso cuja queda é anunciada nos últimos dias.
No capítulo 17, Babilônia coincide com “A MÃE DAS MERETRIZES” (v. 5). Assim como a mulher pura simboliza uma igreja fiel (12:1–6), a meretriz (prostituta) representa uma igreja infiel. Quem é essa mulher infiel? O apóstolo João não abre margens para dúvidas. Para começar, ela está "vestida de púrpura e de escarlata" (17:4) — as cores que os bispos e cardeais católicos usam há centenas de anos. Durante a Idade Média, foi a igreja papal que ficou "embriagada com o sangue dos santos, e [...] das testemunhas [mártires] de Jesus" (v. 6).
Mas essa "Igreja Mãe", como ela se autodenomina, tem filhas prostitutas. Quem são elas, senão as denominações que descendem dela? Elas não nasceram prostitutas, pois uma vez carregaram a tocha da reforma. Mas hoje, a maioria das igrejas protestantes não está mais "protestando" contra os falsos ensinamentos da Mãe Babilônia.
Além disso, o termo Babilônia significa "confusão" (Gênesis 11:9) — uma descrição adequada para esse conjunto de igrejas caídas com suas doutrinas conflitantes!
Deus está chamando Seu povo para sair dessa confusão. Aqueles que atenderem ao chamado "guard[arão] os mandamentos de Deus" (Apocalipse 14:12) — todos os dez. Aqueles que deixaram uma igreja que não guarda o sétimo mandamento deram um grande passo na direção certa.
Para saber mais sobre “A MÃE DAS MERETRIZES” em Apocalipse 17, confira o Manual de Estudos “A Outra Mulher”.